25 de fev de 2011

Presidente do Geia ignora trabalho de ilustrador com a colaboração de imortal



 
 O genro do senador José Sarney (PMDB-AP) e presidente do Instituto Geia, Jorge Murad, é economista por formação e, consequentemente, voraz devorador de números. Para despistar essa predileção, "Jorginho" (como é tratado entre cupinchas) tem imantado intelectuais, materializando a definição gramsciana (do filosófo Antonio Gramsci), segundo a qual cada classe produz seus próprios pensadores.
     Favorecido pelos patrocínios domésticos, o mais intelectual dos Murad tem dado vazão a seu talento de mecenas em episódios isolados. Destes, o Festival Geia, que ganha a sétima edição realizada em São José de Ribamar este ano, é o mais popular.

    Como fomentador das artes e cultura, "Jorginho" tem pontificado em textos de apresentação da produção do próprio instituto que preside. É o bastante. Porém, como todo mecenas que se preze seus dotes artísticos, mesmo que parcos, são festejados pela classe mantenedora do status quo e alhures.

    Na sua trajetória inoxidável Jorge Murad almejou compartilhar espaço com o bibliófilo José Midlin (1914-2010), dono da Metal Leve, na condição de editor.


    Para lustrar a dita coleção, "Jorginho" cercou-se de pronomiais da literatura maranhense contemporânea. O imortal Sebastião Moreira Duarte figurou na proa. Em ao menos um caso, Jorginho derrapou na acuidade como editor: o livro "O caso Pontes Visgueiro-Um erro judiciário", de Evaristo de Moraes (1871-1939).
    O livro esmiuça à luz da lei o caso de Mariquinhas assassinada pelo desembargador José Cândido de Pontes Visgueiro em agosto de 1873, trespassado de passionalidade e célebre na história da criminologia brasileira, inicia a série de comentários de Moraes. A primeira edição em livro foi publicada pela Editora Ariel, do Rio de Janeiro, em 1934. No entanto, a edição da Maranhão Sempre peca ao sonegar a autoria de todas as ilustrações do livro. Suas assumidas hão de dizer que isso é coisa sem importância, afinal que seria de Duhrer, Caribé e outros tantos se todos fossem iguais a Duarte ou Jorginho?

    Antes do gestar o Geia, para empreender uma carreira de editor, Jorginho contou com o inarredável apoio do Governo do Estado do Maranhão. A coleção Maranhão Sempre, publicada pela paulistana Editora Siciliano (perceba o nome!) em 2002, antes de Roseana Sarney se despedir do segundo mandato como governadora, foi uma aventura nessa direção.

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